CÁ TE ESPERO...

Recordando... Lília Tavares

GUARDADORA DE VENTOS


 


Cheguei a casa quando anoitecia.


Ainda quente, o vento empurrava-me o vestido.


Por um instante senti-me ave


levada por brisas, plumas e enigmas.


A aragem entontecia-me de prazer.


Queria ficar nos braços daquele vento.


Imaginei que o anoitecer me pertencia.


De pé, senti o teu corpo.


O meu, aberto e solto, deixou-se ir.


Sou apenas uma guardadora de ventos.


 


In “Nomes da Noite”


Colecção A água e a sede” 


Edições Modocromia


 


Lília Tavares


(N.1961)

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