CÁ TE ESPERO...

Recordando... Luís Miguel Nava

AO MÍNIMO CLARÃO


 


Talvez seja melhor não nos voltarmos


a ver, ao mínimo clarão


das mãos a pele se desavém com a memória.


As mãos são de qualquer corpo a coroa.


 


Das dele já nem sequer o itinerário


sei hoje muito bem, onde o horizonte


se desata o mar agora


regressa ao coração de que faz parte.


 


Ainda é o mar contudo o que se vê


florir onde ele chegar. Chamando a esse


rapaz rebentação,


o céu rasga-se à volta dos seus ombros


 


In "Poesia completa (1979-1994)”


Publicações Dom Quixote


 


Luís Miguel Nava


(1957-1995)

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