CIRCE APAGA O MEU NOME
Circe apaga o meu nome
e o desejo do nome
ser flor ou animal
aroma ou afluente
regressar ou ficar
entre a noite e a morte
a substância de ser ou não
presente
Circe apaga o desejo
de sermos verticais
ela fecha a janela
que dá para o outro lado
transmuda o corpo aberto
em lama que rasteja
em pêlos eriçados
o vestido de bronze
quando as naus regressarem
já não somos humanos
In “Um Escorpião Coroado de Açucenas”
Hugin Editores
Madalena Férin
(1929- 2010)