CÁ TE ESPERO...

Recordando... Madalena Férin

CIRCE APAGA O MEU NOME


 


Circe apaga o meu nome


e o desejo do nome


ser flor ou animal


aroma ou afluente


regressar ou ficar


entre a noite e a morte


a substância de ser ou não


presente


 


Circe apaga o desejo


de sermos verticais


ela fecha a janela


que dá para o outro lado


transmuda o corpo aberto


em lama que rasteja


em pêlos eriçados


o vestido de bronze


 


quando as naus regressarem


já não somos humanos


 


In “Um Escorpião Coroado de Açucenas” 


Hugin Editores


 


Madalena Férin


(1929- 2010)

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