CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Alegre... Poeta Contemporâneo

A RAPARIGA DO PAÍS DE ABRIL

Habito o sol dentro de ti

descubro a terra aprendo o mar

rio acima rio abaixo vou remando

por esse Tejo aberto no teu corpo.

E sou metade camponês metade marinheiro

apascento meus sonhos iço as velas

sobre o teu corpo que de certo modo

é um país marítimo com árvores no meio.

Tu és meu vinho. Tu és meu pão.

Guitarra e fruta. Melodia.

A mesma melodia destas noites

enlouquecidas pela brisa no País de Abril.

E eu procurava-te nas pontes da tristeza

cantava adivinhando-te cantava

quando o País de Abril se vestia de ti

e eu perguntava atónito quem eras.

Por ti cheguei ao longe aqui tão perto

e vi um chão puro: algarves de ternura.

Quando vieste tudo ficou certo

e achei achando-te o País de Abril.






In "30 Anos de Poesia"

Publicações Dom Quixote




Manuel Alegre

N. 1936


 

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