CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel da Fonseca

MENINO


 


No colo da mãe


a criança vai e vem


vem e vai


balança.


Nos olhos do pai


nos olhos da mãe


vem e vai


vai e vem


a esperança.


 


Ao sonhado


futuro


sorri a mãe


sorri o pai.


Maravilhado


o rosto puro


da criança


vai e vem


vem e vai


balança.


 


De seio a seio


a criança


em seu vogar


ao meio


do colo-berço


balança.


 


Balança


como o rimar


de um verso


de esperança.


 


Depois quando


com o tempo


a criança


vem crescendo


vai a esperança


minguando.


E ao acabar-se de vez


fica a exacta medida


da vida


de um português.


 


Criança


portuguesa


da esperança


na vida


faz certeza


conseguida.


Só nossa vontade


alcança


da esperança


humana realidade.


 


In “Poemas para Adriano”


 


Manuel da Fonseca


(1911-1993)

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