CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Laranjeira

NA RUA


 


Ninguém por certo adivinha


como essa Desconhecida,


entre estes braços prendida,


jurava ser toda minha.


 


Minha sempre! — E em voz baixinha:


— «Tua ainda além da vida!...»


Hoje fita-me, esquecida


do grande amor que me tinha.


 


Juramos ser imortal


esse amor estranho e louco...


E o grande amor, afinal,


 


(Com que desprezo me lembro!)


foi morrendo pouco a pouco,


— como uma tarde em Setembro...


 


Comigo (Versos dum Solitário) - 1912


 


In “Obras de Manuel Laranjeira”


Edições Asa - 1993


 


Manuel Laranjeira


(1877-1912)

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