CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Maria de Barbosa du Bocage

SONETO IX


 


Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachacho estreito;

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica, nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito:

A voraz porra as guelras encrespando
Arruma a focinheira, e entre gemidos
A moça treme, os olhos requebrados:

Como é linda boçal, perde os sentidos:
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.


 


 


In “Poesias, eróticas, burlescas e satíricas”


Colecção Clássicos do Erotismo


Editora Escriba – 1969


 


Manuel Maria de Barbosa du Bocage


1765 – 1805

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