CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Maria de Barbosa du Bocage... Poeta do Séc. XVIII

MAGRO, DE OLHOS AZUIS...


Magro, de olhos azuis, carão moreno,

Bem servido de pés, meão n'altura,

Triste de facha, o mesmo de figura,

Nariz alto no meio, e não pequeno;


Incapaz de assistir num só terreno,

Mais propenso ao furor do que à ternura,

Bebendo em níveas mãos por taça escura

De zelos infernais, letal veneno;


Devoto incensador de mil deidades,

(Digo de moças mil) num só momento,

E somente no altar amando os frades;


Eis Bocage, em quem luz algum talento;

Saíram dele mesmo estas verdades

Num dia em que se achou mais pachorrento.


 


In "Clássicos Portugueses – Trechos Escolhidos – Bocage – Sonetos"


Liv. Clássica Editora – Lisboa – 1943


 


Manuel Maria de Barbosa du Bocage


1765 – 1805 


 


 

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