CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Ribeiro

A MÃE


 


I


 


Sua ternura:


 


Com que alvoroço trémulo e espectante


chega a maternidade um dia, – como


da simples flôr se desentranha o gomo


a um raio de sol mais perturbador.


 


Vão-se os flancos erguendo na ondeante


vida que irrompe altiva, num assomo.


O seio branco amadurece em pomo


que o filho, ancioso, já não está distante.


 


No futuro que a Mãe lhe vai a erguer


a terra é pouca já p’ra êle ver


e pequeno o universo p’ra sonhar.


 


Mas, ei-lo enfim que chega... E a terra e o espaço


se circunscrevem no minguado abraço


em que os seus labios se unem p’ra o beijar...


 


II


 


Sua bondade:


 


Um filho vem, mais um e outro ainda.


Fonte da vida, a vida corre enquanto


do seu amor jorrar, em flúido, o encanto


que aos olhos d’outro amor a torna linda.


 


Cada vida que vem ao mundo em pranto


é p’ra o seu amplo coração bem vinda.


E já não sabe (se esse amar é tanto!)


onde o filho começa e onde a mãe finda.


 


E como em roda o azul do ceo pendente


se curva e pousa em terra e pensa a gente


que êle está perto – e é a Imensidade,


 


assim a alma da Mãe – ilimitada,


abraça o filho, mas, aperfilhada,


passa no lento abraço – a Humanidade.


 


In Revista “ÁMANHÔ


(Revista popular de orientação racional)


I Série – Nº 1 – 1 de Junho de 1909 – Pág. 10


Directôres – Grácio Ramos & Pinto Quartim


 


Manuel Ribeiro


1879 – 1941


 


Mantém a grafia original

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