INCREDULIDADE
Estes meus versos simples que te dou
E por que mostras só curiosidade,
Crendo que são uma futilidade,
Um passatempo frívolo em que estou;
Mal sabes quanto amor se concentrou
Nêles: com quanto ardor, quanta ansiedade
Os recortei na pura claridade
Do dulcíssimo sonho que os gerou.
Pertencem-te meus versos, se são teus!
Se me veem de ti como Deus,
Embora saiba bem que tu não crês…
Ah, que cegueira e desentendimento;
És tu que falas no meu pensamento,
Estás toda inteira nêle e não vês…
(mantém a grafia original)
In “Contemporanea”
Director - José Pacheco
Ano I - Volume III - Nº.9 Ano 1923
Pág. 119
Manuel Ribeiro
(1878-1941)