CÁ TE ESPERO...

Recordando... Manuel Ribeiro

INCREDULIDADE


 


Estes meus versos simples que te dou


E por que mostras só curiosidade,


Crendo que são uma futilidade,


Um passatempo frívolo em que estou;


 


Mal sabes quanto amor se concentrou


Nêles: com quanto ardor, quanta ansiedade


Os recortei na pura claridade


Do dulcíssimo sonho que os gerou.


 


Pertencem-te meus versos, se são teus!


Se me veem de ti como Deus,


Embora saiba bem que tu não crês…


 


Ah, que cegueira e desentendimento;


És tu que falas no meu pensamento,


Estás toda inteira nêle e não vês…


 


(mantém a grafia original)


 


In “Contemporanea”


Director - José Pacheco


Ano I - Volume III - Nº.9 Ano 1923


Pág. 119


 


Manuel Ribeiro


(1878-1941)

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