CÁ TE ESPERO...

Recordando... Marcolino Candeias

ROTA DE ÍTACA


 


Mas se tenho de partir que de novo eu parta


é talvez bem melhor do que ficarem


meus pés no cais chumbados em argola


meus olhos no horizonte ao sonho a velejar.


 


Que eu parta. E assuma o risco de partir


fender a bruma sobre este coração cerrada


colher num bojador espinhos perfumados


partir e não saber em que angra fundear.


 


Largar amarras. Ir decifrando


quantos portulanos na vida houver a decifrar.


E se no fim faltar o cais para a chegada


o mar também é terra onde morar.


 


In “Na Distância deste Tempo”


Edições Salamandra


 


Marcolino Candeias


(1952-2016)

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