CÁ TE ESPERO...

Recordando... Maria Manuela Couto Viana

AMIGO! AMIGO!


 


Lembras-te do  jardim irreal e triste?


Do lago onde  boiavam peixes de jade?


Existe ainda esse jardim irreal e triste?


Para voltar sempre parece tarde.


 


Dormias como um deus sobre anémonas brancas


Corno eras tão jovem, tão simples, tão claro!


Teu rosto e tuas mãos eram anémonas brancas.


Só a memória guarda o teu retrato.


 


Que fizemos do nosso único momento?


Do grande? do verdadeiro, do exacto?


Agora o que há entre nós não tem momento;


Está fora do tempo e do espaço.


 


 


In “As Folhas de Poesia Távola Redonda"


Fundação Calouste Gulbenkian


Boletim Cultural – Série VI – n.º 11 – Outubro.1988


 


Maria Manuela Couto Viana


1919 – 1983


 

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