CÁ TE ESPERO...

Recordando... Maria Natália Duarte Silva

UM ACORDAR...


 


Um acordar, violento e duro,


qualquer coisa desesperada


– mesmo  que seja preciso saltar o muro –


que nos arranque da sempre mesma morna estrada


para encontrar um outro caminho mais seguro.


(Não podemos dizer a ninguém


o de repente desejo de infinito que nos vem.


Porque logo se vai


acompanhado o breve momento que o atrai).


Que realizarei


qualquer força interior.


Mas terei de dar


o que não dei


seja a quem fôr.


No procurar


do sítio exacto onde me pôr.


 


In “Mão Aberta”


 


Maria Natália Duarte Silva


(1930-1971)

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