CÁ TE ESPERO...

Recordando... Maria Velho da Costa

TODAS AS COISAS REVÊM A SEU TERMOS


 


Todas as coisas revêm a seu termos


se mantido o começo


o seu (de cada uma) pedúnculo,


sinal; fiel a si só quem outrem ladeia


no recreio de achá-lo só contíguo


ao desejado, o longes,


desfeitos assim lios, tramas


(ter, ter, só do engano e não da jorna).


 


Que, sob a mesma traça,


mão que desenhe o sacro de seu nome


praça de si condigna queira


e laude como, à ida,


e perseguindo a encoberta desavinda vinda,


a pele lhe não foi raias de mortal.


 


Onde achar paradouro do ir indo


que as mesmas vascas agasalhe e cumpra?


 


O olhar permutado, a líquida juntura


não congelada porque bem fugida,


o integral dum sim já denegado,


o tão de si senhor que em desistir-se tento tenha


e embrumado (nunca por nunca certo)


vagueie um solidíssimo ficar?


 


Conjugar montaria sem quebreiras


no quadrado de cama jugulada,


(a terra em trevas);


amar redondo (em giração) e a eito;


casal que por fendido


a casa casta aberta e hoste rotornante


pátria dos pés crescentes caminheiros faça."


 


In “Desescrita”


Editora Afrontamento


 


Maria Velho da Costa


(1938-2020)

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