CÁ TE ESPERO...

Recordando... Mário de Sá-Carneiro

RECREIO


 


Na minh'Alma há um balouçopoe


Que está sempre a balouçar -


Balouço à beira dum poço,


Bem difícil de montar...


 


- E um menino de bibe


Sobre ele sempre a brincar...


 


Se a corda se parte um dia


(E já vai estando esgarçada),


Era uma vez a folia:


Morre a criança afogada...


 


- Cá por mim não mudo a corda,


Seria grande estopada...


 


Se o indez morre, deixá-lo...


Mais vale morrer de bibe


Que de casaca... Deixá-lo


Balouçar-se enquanto vive...


 


- Mudar a corda era fácil...


Tal ideia nunca tive...


 


Paris - Outubro 1915


 


In “Poemas Completos”


Edição Fernando Cabral Martins


Assírio & Alvim


 


Mário de Sá-Carneiro


(1890-1916)

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