CÁ TE ESPERO...

Recordando... Miguel Torga **

SÚPLICA


 


Não digas, musa,


Por quantos versos reparti o pranto


Que chorei neste mundo.


Não contes


Os mil segredos que te confiei


Nas horas de abandono.


Não reveles à vida


O amor que lhe tive


E de que foste única confidente.


Perdição consciente,


Que mais ninguém me veja


Nesta triste nudez de sonhador.


Que o teu silêncio seja


O meu pudor.


 


Coimbra, 10 de Janeiro de 1977


 


In “Antologia Poética”


Edições Dom Quixote


 


Miguel Torga **


(1907-1995)


 


** Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha

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