CÁ TE ESPERO...

Recordando... Natália Correia

O ESPÍRITO


 


Nada a fazer amor, eu sou do bando


Impermanente das aves friorentas;


E nos galhos dos anos desbotando


Já as folhas me ofuscam macilentas;


 


E vou com as andorinhas. Até quando?


A vida breve não perguntes: cruentas


Rugas me humilham. Não mais em estilo brando


Ave estroina serei em mãos sedentas.


 


Pensa-me eterna que o eterno gera


Quem na amada o conjura. Além, mais alto,


Em ileso beiral, aí espera:


 


Andorinha indemne ao sobressalto


Do tempo, núncia de perene primavera.


Confia. Eu sou romântica. Não falto.


 


In “Sonetos Românticos”


Edições O Jornal – 1990


 


Natália Correia


(1923 – 1993)

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