CÁ TE ESPERO...

Recordando... Natércia Freire... Poetisa do Séc. XX

ASSIM


 


Assim por muito mais e muito menos

Assim por heroísmo e cobardia.

Assim a tarde a noite no momento,

Assim pensar em mim quando vivias.

Assim os dedos longos nos cabelos

Dos mortos abraçados e cativos.

Assim esta miséria de estar viva

E não saber estar viva quando vivo.

Assim nas brancas árvores o tempo

Assim ter acabado o meu destino

E ler-me noutros versos, noutros nomes,

Assim desconhecer aonde habito.

Assim por muito mais e muito menos

Se acaba, em vida, a vida ao suicida.

Assim por ser a hora mais cinzenta,

O desamparo assim da minha vida.


 


 


(Os Intrusos – 1971)


 


In "Antologia Poética"


Assírio & Alvim


 


Natércia Freire


1919 – 2004


 


 


 

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