CÁ TE ESPERO...

Recordando... Nicolau Saião

NAZARÉ (vila e praia)


 


Não a outra, mas essa: a que do Sítio nos aponta o ocidente


E depois outras rotas para todos os quadrantes:


a praia de dentro


o jardim de fora e do fundo da nossa pequena


silhueta


- morte que se negou.


 


A solidão da praia do Norte


o assombro da luz


que alimenta a penumbra


Tudo o que por alegria calamos num passo estugado e


um pouco temeroso


Não importa, dizias tu, além é o mundo e ouve-nos


- pequeno veraneante de roupas coloridas que a alguém entregou


sua voz seu segredo


seu nítido momento.


 


E agora


não a outra mas tu


a que não entra nessa história sagrada em que Ester


colocou seu cântaro perto do muro caiado


e que em Azarias achou seu derradeiro refrigério


A mão a asa perfeitamente modelada


e depois seu abalar para sempre, seu


trespassado e imperfeito corpo até à claridade


- bóias barcos refluir de vagas as máquinas


fotográficas ao ritmo do que de longe a serra da Pederneira


conserva e permite.


 


Não a outra mas tu


a que outrora vi entre céus e uma sombra fugaz


Meu íntimo refúgio igual a mil a cem a um apenas.


As flores os fogareiros para o trabalho do peixe a jorna entregue


a quem na memória retém surpresa e saudade


 


ou simplesmente no cimo da falésia avistou


horizontes ruas incólumes a escuridão das dunas.


 


In “Antologia Canto de Mar”


Colecção Bico da Memória


Biblioteca Municipal da Nazaré


 


Nicolau Saião **


(N. 1946)


 


** Pseudónimo literário/artístico de Francisco Ludovino Cleto Garção

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