CÁ TE ESPERO...

Recordando... Nicolau Tolentino de Almeida

O COLCHÃO DENTRO DO TOUCADO


 


Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a Mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.



A filha, moça esbelta e aperaltada
Lhe diz co´a doce voz que o ar serena:
“Sumiu-se-lhe um colchão, é forte pena!
Olhe não fique a casa arruinada …”



“Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?” E dizendo isto,


 


Arremete-lhe á cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado.


 


In “Obras Completas”


Castro, Irmão& Cª – 1861


 


Nicolau Tolentino de Almeida


(1722-1804)

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