CÁ TE ESPERO...

Recordando... Nuno Júdice

CHUVA


 


Chove como sempre. E,


sempre que chove,


as pessoas abrigam-se


(as que não estavam à


espera que chovesse);


ou abrem, simplesmente,


o chapéu-de-chuva - de


preferência com fecho


automático. Porque, quando


chove, todos temos de


fazer alguma coisa: até


nós, que estamos dentro


de casa. Vão, uns, até


à janela, comentando:


“Que Inverno!”; sentam-se,


outros, com um papel


à frente: e escrevem


um poema, como este.


 


In “Um Canto na Espessura do Tempo” 1992


Quetzal Editores


 


Nuno Júdice


(N.1949)

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