CÁ TE ESPERO...

Recordando o passado... Antero Quental

PEQUENINA


 



Eu bem sei que te chamam pequenina


E ténue como o véu solto na dança,


Que és no juízo apenas a criança,


Pouco mais, nos vestidos, que a menina...


 


 


Que és o regato de água mansa e fina,


A folhinha do til que se balança,


O peito em que correndo logo cansa,


A fronte que ao sofrer logo se inclina...


 


 


Mas, filha, lá nos montes onde andei,


Tanto me enchi de angústia e de receio


Ouvindo do infinito os fundos ecos,


 


 


Que não quero imperar nem já ser rei


Senão tendo meus reinos em teu seio


E súbditos, criança, em teus bonecos!


 


 


Antero de Quental


1842-1891


In Sonetos – Estante Editora

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