CÁ TE ESPERO...

Recordando... O poeta Fernando Pessoa e seus heterónimos

A ARANHA


 


 


A aranha do meu destino

Faz teias de eu não pensar.

Não soube o que era em menino,

Sou adulto sem o achar.

É que a teia, de espalhada

Apanhou-me o querer ir...

Sou uma vida baloiçada

Na consciência de existir.

A aranha da minha sorte

Faz teia de muro a muro...

Sou  presa do meu suporte.


 


 


In "Poesias Inéditas"


 


Fernando Pessoa


1888 – 1935

 

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