TUDO QUE FAÇO OU MEDITO
Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço –
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além…
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
13/9/1933
In "Cancioneiro – Obra Poética"
Fernando Pessoa
1888 – 1935