CÁ TE ESPERO...

Recordando... O poeta Fernando Pessoa e seus heterónimos

TUDO QUE FAÇO OU MEDITO


 


 


Tudo o que faço ou medito


Fica sempre na metade.


Querendo, quero o infinito


Fazendo, nada é verdade.


 


 


Que nojo de mim me fica


Ao olhar para o que faço!


Minha alma é lúcida e rica,


E eu sou um mar de sargaço –


 


 


Um mar onde bóiam lentos


Fragmentos de um mar de além…


Vontades ou pensamentos?


Não o sei e sei-o bem.


 


 


13/9/1933


 


In "Cancioneiro – Obra Poética"


 


Fernando Pessoa


1888 – 1935


 


 


 

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