CÁ TE ESPERO...

Recordando... O poeta Fernando Pessoa e seus heterónimos

Ó SINO DA MINHA ALDEIA


 


Ó sino da minha aldeia,

Dolente na tarde calma,

Cada tua badalada

Soa dentro da minha alma.


 


E é tão lento o teu soar,

Tão como triste da vida,

Que já a primeira pancada

Tem o som de repetida.


 


Por mais que me tanjas perto,

Quando passo, sempre errante,

És para mim como um sonho,

Soas-me na alma distante.


 


A cada pancada tua,

Vibrante no céu aberto,

Sinto mais longe o passado,  

Sinto a saudade mais perto.


 


 


In "Cancioneiro – Fernando Pessoa – Antologia Poética"


 3ª. Edição – Biblioteca Ulisses de Autores Portugueses


Editora Ulisses


 


Fernando Pessoa


1888 – 1935


 

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