CÁ TE ESPERO...

Recordando... Olga Gonçalves

AS MANHÃS ASSIM PURAS FORMULÁVES


 


as manhãs assim puras formuláves


por um sopro de amor de outras esferas


as manhãs assim dentro incendiadas


por nomes que da escada fazem guerra


 


as manhãs assim hora já volátil


junto ao tiro de caça junto ao remo


as manhãs bloqueadas neste lado


pelo trágico limbo do meu gesto


 


as manhãs assim margens divididas


que me cercam e viram contra o espelho


e depois lentamente me desdobram


 


as manhãs esticadas na colina


já pressentem a força que tu és


em nocturno e galáxia fabulosa


 


In “Só de amor”


Editora Ática – 1975


 


Olga Gonçalves


1929 – 2004

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