CÁ TE ESPERO...

Recordando... Paulino António Cabral

AMOR, É UM ARDER, QUE SE NÃO SENTE


 


Amor, é um arder, que se não sente;


É ferida que dói, e não tem cura;


É febre, que no peito faz secura;


É mal, que as forças tira de repente.


 


É fogo, que consome ocultamente;


É dor, que mortifica a Criatura;


É ânsia a mais cruel, e a mais impura;


E frágua, que devora o fogo ardente.


  


É um triste penar entre lamentos;


É um não acabar sempre penando;


É um andar metido em mil tormentos.


   


É suspiros lançar de quando, em quando;


E quem me causa eternos sentimentos;


É quem me mata, e vida me está dando.


   


 


In "366 Poemas Que Falam de Amor"


Antologia organizada por Vasco Graça Moura,


Editora Quetzal 


 


Paulino António Cabral


(Abade de Jazente)


1719 – 1789  

0