AMOR, É UM ARDER, QUE SE NÃO SENTE
Amor, é um arder, que se não sente;
É ferida que dói, e não tem cura;
É febre, que no peito faz secura;
É mal, que as forças tira de repente.
É fogo, que consome ocultamente;
É dor, que mortifica a Criatura;
É ânsia a mais cruel, e a mais impura;
E frágua, que devora o fogo ardente.
É um triste penar entre lamentos;
É um não acabar sempre penando;
É um andar metido em mil tormentos.
É suspiros lançar de quando, em quando;
E quem me causa eternos sentimentos;
É quem me mata, e vida me está dando.
In "366 Poemas Que Falam de Amor"
Antologia organizada por Vasco Graça Moura,
Editora Quetzal
Paulino António Cabral
(Abade de Jazente)
1719 – 1789