CÁ TE ESPERO...

Recordando... Pedro Mexia

DUPLO IMPÉRIO


 


Atravesso as pontes mas


(o que é incompreensível)


não atravesso os rios,


preso como uma seta


nos efeitos precários da vontade.


 


Apenas tenho esta contemplação


das copas das árvores


e dos seus prenúncios celestes,


mas não chego a desfazer


as flores brancas e amarelas


que se desprendem.


 


As estações não se conhecem,


como lhes fora ordenado,


mas tecem o duplo império


do amor e da obscuridade. "


 


In "Duplo Império"


 


Pedro Mexia


(N.1972)

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