CÁ TE ESPERO...

Recordando... Pedro Tamen

NÃO SEI, AMOR, SEQUER, SE TE CONSINTO


 


Não sei, amor, sequer, se te consinto


ou se te inventas, brilhas, adormeces


nas palavras sem carne em que te minto


a verdade intemida em que me esqueces.


 


Não sei, amor, se as lavas do vulcão


nos lavam, veras, ou se trocam tintas


dos olhos ao cabelo ou coração


de tudo e de ti mesma. Não que sintas


 


outra coisa de mais que nos feneça;


mas só não sei, amor, se tu não sabes


que sei de certo a malha que nos teça,


 


o vento que nos leves ou nos traves,


a mão que te nos dê ou te nos peça,


o princípio de sol que nos acabes.


 


In «Tábua das Matérias - Poesia 1956-1991»,


Tertúlia - 1991


 


Pedro Tamen


(1934-2021)

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