CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas Contemporâneos... Joaquim Pessoa

MEU AMOR QUE EU NÃO SEI


 


Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.

Teus braços são a flor do aloendro.

Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.

Teus olhos são da cor do sofrimento.


 


Amor-país.

Quero cantar-te. Como quem diz:


 


O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E primavera.

Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.

O nosso amor é uma arma. E uma espera.

O nosso amor é um cavalo alucinante.


 


O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.

Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa,

Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.

O nosso amor é como a flor do aloendro.


 


Deixa-me soltar estas palavras amarradas

Para escrever com sangue o nome que inventei.

Romper. Ganhar a voz duma assentada.

Dizer de ti as coisas que eu não sei.

Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.

Amor-verdade. Amor-cidade.

Amor-combate. Amor-abril.

Este amor de liberdade.


 


 


In "Amor Combate"


 


Joaquim Pessoa


N. 1948


 


 

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