CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas do Séc. XIX... António Fogaça

 


OS ROUXINÓIS
                                                 


No meu jardim, num cedro em que a frescura
e a flor da novidade vêm brotando, 
pousa, por vezes, um ditoso bando
de alegres rouxinóis, entre a verdura. . .

Quando ali vou, tristíssimo, à procura 
de sossego e de luz, de quando em quando, 
sinto-os vir e pousar, ouço-os cantando 
no doce idílio de uma paz obscura.

E, desditoso, eu lembro com saudade,  
último brilho do meu peito ardente,  
que assim também, num íntimo vigor,

sobre o flóreo jardim da mocidade,  
cantaram na minh'alma alegremente,  
como no cedro, os rouxinóis do amor!...


 


In "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou"
J. G. de Araújo Jorge – Vol. II – 1ª Ed.   1966


 


António Fogaça


1863 – 1888


 


 

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