CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas do Séc. XIX... Camilo Castelo Branco

 


JORGE

Constantemente vejo o filho amado
Na minha escuridão, onde fulgura
A estática pupila da loucura,
Sinistra luz dum cérebro queimado.

Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantíssima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!

Meu triste filho passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo,
Sem bússola, sem norte e sem farol.

Nem gozo nem paixão te altera a vida:
Eu choro sem remédio a luz perdida,
Bem mais feliz és tu, que vês o sol.


 


 


IN "Nas Trevas"


 


Camilo Castelo Branco


1825 – 1890


 

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