CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas do Séc. XIX/XX... João Penha

MULHER, VEJO-TE NUA, EMBORA ESCONDAS


 


Mulher, vejo-te nua, embora escondas,


Sob as tintas de cândida tristeza,


As máculas da sórdida impureza,


A lepra vil das saturnais hediondas.


 


E contudo, enganando-me, ainda sondas


O mar largo da minha singeleza:


Supões-me, como o doge de Veneza,


Esposo fácil de corruptas ondas!


 


Não chores a meus pés esmorecida;


Lá mais tarde, nos palcos da cidade,


Farás de Madalena arrependida.


 


No vício pode haver honestidade:


Deixa-me em paz nas sombras desta vida,


Não me afrontes na minha soledade.


 


 


Vinho e Fel


 


In "Rimas"


Estante Editora – Dezembro.1990


 


João Penha


1838 – 1919


 


 


 


 

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