CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas naturais do Porto - Portugal (2)... Adolfo Casais Monteiro

PINGAS DE CHUVA


 


Caem,


Gordas, sonoras,


Monótonas pingas de chuva,


- Espaçadas -


E indolentes


Vão marcando uma toada:


Ping pang - ping pang,


As pingas


De chuva do Outono pardo.


Espapaçada


A terra mole absorve


As vagas de chuva densa


Que lenta vai caindo,


Em pingas grossas, sonoras.


E ao cair,


A chuva bate o compasso


Com o som dum contrabasso...


Ping...


Pang...


Ping...


Pang…


 


 


In "Poemas do Tempo Incerto"


 


Adolfo Casais Monteiro


1908 – 1972


 


 

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