CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas naturais do Porto - Portugal (2)... Álvaro de Magalhães

A FILHA


 


Ela toma a minha mão, leva-me a ver

esse pedacinho de mundo que nos coube

e eu vejo sempre pela primeira vez

porque tudo muda constantemente.

 

Cada manhã tem outra estrela-da-manhã

e em todas elas me levanto

para ir ver, pela mão dela,

o novo mundo que nesse dia há.

 

À noite, vou espreitar

essa pequena mão adormecida

que aprisiona um grão de vento

e o tesouro ameaçado da alegria;

as sombras descansam no escuro

e, a essa hora,

também dorme a mão de Deus,

ninguém segura o fio

que liga a minha a outras vidas.

 

Nunca quis ter uma bola de cristal

mas poder ir, pela mão da filha,


ver o futuro.




 


In "O Reino Perdido – 1986"


 


Álvaro Magalhães


N. 1951 (no Porto)


 


 

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