CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas naturais do Porto - Portugal (2)... Sophia de Mello Breyner Andersen

TU DORMES


 


Tu dormes embalado nos rochedos


E aos meus ouvidos vem falar o vento.


Escuto, busco, chamo e não respondes,


E todo o mundo se tornou fantasma.


 


Estou fechada, suspensa, prisioneira


Queria voltar para fora, para o dia,


Ressurgir, respirar, tornar a ver,


Mas todo o mundo se tornou fantasma.


 


E a voz do mar encheu o céu e a terra


Uma voz que está cheia e se quebra


E nunca mais acaba.


 


Pássaros brancos cortam as janelas,


Anémonas cintilam nos rochedos:


Terror de estar sozinha e de escutar


Com este tempo morto entre os meus dedos.


 


 


In "Obra Poética I"


Editorial Caminho – Março de 1998


 


Sofia de Mello Breyner Andresen


1919 – 2004  


 


 

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