CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas séc. XIX (2)... José Duro

 


EM BUSCA


 


Ponho os olhos em mim, como se olhasse um estranho,


E choro de me ver tão outro, tão mudado…


Sem desvendar a causa, o íntimo cuidado


Que sofro do meu mal — o mal de que provenho.


 


Já não sou aquele Eu do tempo que é passado,


Pastor das ilusões perdi o meu rebanho,


Não sei do meu amor, saúde não na tenho,


E a vida sem saúde é um sofrer dobrado.


 


A minh'alma rasgou-ma o trágico Desgosto


Nas silvas do abandono, à hora do sol-posto,


Quando o azul começa a diluir-se em astros…


 


E à beira do caminho, até lá muito longe,


Como um mendigo só, como um sombrio monge,


Anda o meu coração em busca dos seus rastros…


 


 


In "Antologia de Poetas Alentejanos"


 


José Duro


1876 – 1899


 

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