CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetas séc. XX (2)... António Fogaça

 


DESGOSTOSA


 


 


O seu riso gentil que ainda me arrasta,
Como quem vai seguindo no deserto
Os raios dum clarão que julga perto,
Mas que a segui-lo toda a vida gasta;


 


Sua voz, seu olhar, sua alma casta
Todo esse altivo e festival concerto
— Brancas formas de luz que ao seio aperto
Sonhadamente, numa dor nefasta...


 


Esse porte de brilho e majestade
E o seu modo sincero, doce e honesto,
Tudo a sombra da Mágoa, sem piedade,


 


Velou, tocando-a com seu ar funesto!
Nunca eu sonhasse, ó íntima saudade,
Seu riso, voz, olhar e alma e gesto!...


                                                              


 


In "Líricas Portuguesas"


Portugália Editora – 1957 – Portugal


 


António Fogaça


1863 – 1888


 

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