RESUMA DA AULA OU FOLK DOURO
Tenho que fugir rumo ao azul
Tenho que fugir, fugir e ser duende dentro de mim
Corpos enlaçados?
Ternuras, mágoas?
Tenho que fugir, rumo ao rio sinuoso que curva e
[descurva em mim.
Em vales, ora apertados, ora mais largos
Tenho que fugir rumo às partes verdes que des-
[cem das colinas
E abraçar a água densa e tensa.
Tenho que fugir, fugir e ser sol que caminha nas
[nas nuvens que cobrem de manto branco
A fonte da alma da minha alma
Que jorra sangue da boa terra
De olhos leais
À noite cheios de luar…
Mãos finas? Delgadas? Sedosas?
Tenho que fugir aos foguetes e morteiros
Onde o sol de olhos pintados
Onde as esponjas deitam mel
Onde a procissão passa
E cura o pus dos pinheiros
Templos de líquenes
De fontes gorgolejantes
E ser mais um tísico que reza as «ave-marias»
Enquanto na igreja as ladainhas ecoam
Nas vertentes rochosas e abruptas
Onde milhafres rasam
E, tenho que fugir, fugir e ser ferida dentro de mim.
In "Cem Poetas Portugueses no Feminino"
Editora Terramar
Maria José Queiroz Viana
N. 1952