CÁ TE ESPERO...

Recordando... Poetisas Portuguesas (2)... Teresa Rita Lopes

AGORA QUE MORRESTE MÃE


 


Agora que morreste Mãe


E só em mim te tenho


Sou mais que o meu tamanho


Porque sou tu também


 


Tuas mãos afagam as minhas mãos


De quem são estes gestos esta pele?


Nunca me deste irmãos


Só contigo reparto o meu farnel


 


De quotidianos fardos e alegrias


Breves e desta brasa em chaga


Que é a tua ausência nos meus dias


Órfãos mas sempre ao colo desta mágoa


 


De não te ter de te ter sido esquiva


De não te ter nunca aberto as portas


Do meu ser de nunca te ter dado vivas


O que hoje já só são carícias mortas 


 


 


In "Cicatriz" – 1996


Editorial Presença


 


Teresa Rita Lopes,


N. 1937


 


 


 

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