BALADA DO INDIGENTE
Eu vi um homem na rua
O triste metia dó
Fazia gestos ao vento
Consigo falava só
O homem que vi na rua
A todos metia dó.
Anda no mundo perdido
Não acha as coordenadas
Dizem que é doido varrido
Quando atira pedradas
O homem que anda perdido
Não acha as coordenadas.
Na boca tem três cigarros
Que nunca foram fumados
Tem três cigarros na boca
Que estão sempre apagados
Faz uns trejeitos esquisitos
Com os olhos esgazeados.
Ele é um homem diferente
Na vida é um desgraçado
É vagabundo, indigente
Por todos abandonado
Eu também abandonei
Aquele pobre, coitado.
(Poetas de Sempre III)
In "Jornal Poetas & Trovadores"
Nº 23 Ano XXIII 3ª Série
Julho/Setembro 2002
Porfírio Maio Agostinho
1947-2003