CÁ TE ESPERO...

Recordando... Porfírio Maio Agostinho... Poeta Contemporâneo

BALADA DO INDIGENTE


 


Eu vi um homem na rua


O triste metia dó


Fazia gestos ao vento


Consigo falava só


O homem que vi na rua


A todos metia dó.


 


Anda no mundo perdido


Não acha as coordenadas


Dizem que é doido varrido


Quando atira pedradas


O homem que anda perdido


Não acha as coordenadas.


 


Na boca tem três cigarros


Que nunca foram fumados


Tem três cigarros na boca


Que estão sempre apagados


Faz uns trejeitos esquisitos


Com os olhos esgazeados.


 


Ele é um homem diferente


Na vida é um desgraçado


É vagabundo, indigente


Por todos abandonado


Eu também abandonei


Aquele pobre, coitado.


 


 


(Poetas de Sempre III)


 


In "Jornal Poetas & Trovadores"


Nº 23 Ano XXIII 3ª Série


Julho/Setembro 2002


 


Porfírio Maio Agostinho


1947-2003


 

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