CÁ TE ESPERO...

Recordando... Reinaldo Ferreira

PASSEMOS, TU E EU, DEVAGARINHO


 


Passemos, tu e eu, devagarinho,


Sem ruído, sem quase movimento,


Tão mansos que a poeira do caminho


A pisemos sem dor e sem tormento.


 


Que os nossos corações, num torvelinho


De folhas arrastadas pelo vento,


Saibam beber o precioso vinho,


A rara embriaguez deste momento.


 


E se a tarde vier, deixá-la vir


E se a noite quiser, pode cobrir


Triunfalmente o céu de nuvens calmas


 


De costas para o Sol, então veremos


Fundir-se as duas sombras que tivemos


Numa só sombra, como as nossas almas.


 


 


In “Poemas”


Livro IV – Dispersos


Imprensa Nacional de Moçambique


 


Reinaldo Ferreira


1922 – 1959


 


 


 

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