CÁ TE ESPERO...

Recordando... Rosa Alice da Silva Branco... Poetisa Contemporânea

GRAVITAÇÃO UNIVERSAL


 


De novo o mar que espero


sentada à janela que dá para as rosas.


Que dá para todas as ruas que passei


com os teus passos. Para a estrada


onde virámos a cabeça para não ver


o homem esvaído no chão.


Depois comemos na casa de um amigo,


bebemos e falámos como se a vida fosse eterna.


À volta a estrada estava limpa, sem sinais


de sangue. As luzes sobre o mar nas duas margens


e a tua mão na minha perna. Lá no céu


um homem esventrado procura as suas asas.


Nada sei de anjos. Eu que espero o mar todos os dias


acredito na rotação da terra e na lei da gravidade.


Mas quando chegas o corpo não tem peso


e as palavras voam em redor de nós


alagadas em suor. E vem o mar.


 


 


In "Soletrar o Dia"

Edições Quasi


 


Rosa Alice da Silva Branco


N. 1950


 


 

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