CÁ TE ESPERO...

Recordando... Rosa Lobato de Faria

SE EU MORRER DE MANHÃ


 


"Se eu morrer de manhã
abre a janela devagar
e olha com rigor o dia que não tenho.


 


Não me lamentes. Eu não me entristeço:
ter tido a morte é mais do que mereço
se nem conheço a noite de que venho.


 


Deixa entrar pela casa um pouco de ar
e um pedaço de céu
- o único que sei.


 


Talvez um pássaro me estenda a asa
que não saber voar
foi sempre a minha lei.


 


Não busques o meu hálito no espelho.
Não chames o meu nome que eu não venho
e do mistério nada te direi.


 


Diz que não estou se alguém bater à porta.
Deixa que eu faça o meu papel de morta
pois não estar é da morte quanto sei."


 


In "Poemas Escolhidos e Dispersos"


Roma Editora – Lisboa 1997


 


Rosa Lobato de Faria


1932 – 2010

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