CÁ TE ESPERO...

Recordando... Ruy Belo

CANÇÃO DO LAVRADOR


 


Meus versos lavro-os ao rubro


neste página de terra


que abro em lábios. Descubro-


-lhe a voz que no fundo encerra


 


Os versos que faço sou-os


A relha rasga-me a vida


e amarra os sonhos de voos


que eu tinha à terra ferida


 


Poema que mais que escrevo


devo-te em vida. No húmus


a regos simples eu levo


os meus desvairados rumos


 


Mas mais que poema meu


(que eu nunca soube palavra)


isto que dispo sou eu


Poeta não escrevas lavra


 


In "Aquele Grande Rio Eufrates”  


Assírio & Alvim


 


Ruy Belo


(1933-1978)

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