CÁ TE ESPERO...

Recordando... Sebastião da Gama

MEU PAÍS DESGRAÇADO


 


 


Meu país desgraçado!...


E no entanto há Sol a cada canto


e não há Mar tão lindo noutro lado.


Nem há Céu mais alegre que o nosso,


nem pássaros, nem águas...


 


Meu país desgraçado!...


Por que fatal engano?


Que malévolos crimes


teus direitos de berço violaram?


 


Meu Povo


de cabeça pendida, mãos caídas,


de olhos sem fé


- busca, dentro de ti, fora de ti, aonde


a causa da miséria se te esconde.


 


E em nome dos direitos


que te deram a terra, o Sol, o Mar,


fere-a sem dó


com o lume do teu antigo olhar.


 


Alevanta-te, Povo!


Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,


a calada censura


que te reclama filhos mais robustos!


 


Meu Povo anémico e triste,


meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!


- olha a censura muda das mulheres!


Vai-te de novo ao Mar!


Reganha tuas barcas, tuas forças


e o direito de amar e fecundar


as que só por Amor não te desprezam!


 


 


Sebastião da Gama


1924 – 1952


 

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