CÁ TE ESPERO...

Recordando... Soror Violante do Céu

SONETO


Amor, se uma mudança imaginada

É já com tal rigor minha homicida,

Que será se passar de ser temida,

A ser, como temida, averiguada?

Se só por ser de mim tão receada,

Com dura execução me tira a vida,

Que fará se chegar a ser sabida?

Que fará se passar de suspeitada?

Porém se já me mata, sendo incerta,

Somente imaginá-la e presumi-la,

Claro está (pois da vida o fio corta).

Que me fará depois, quando for certa,

Ou tornar a viver para senti-la,

Ou senti-la também depois de morta.


 


 


Rimas Várias


 


In "Breve Antologia Poética do Período Barroco"


Livª. Civilização Editora – Porto e Contexto Editora – Lisboa


 


Soror Violante do Céu


1602 – 1693


 


 

0