ESPERO QUE HAJA ALGUÉM QUE RESPEITE
Espero que haja alguém que respeite
a minha solidão
Que me ame no silêncio
Que me deixe enlouquecer só
Enquanto me limpa o pó dos livros
E se perde nos versos dos poemas
Espero que haja alguém que entenda
O quanto o amo sem nada dizer
Simplesmente porque o olho devagar
E o sinto
E o guardo em mim
Espero que haja alguém que perceba
O quanto necessito de passear nos meus
livros
O quanto preciso de amar um livro
E dedicar-me
E fechar-me
Espero que haja alguém
Que perceba que estou cansada
Encurralada
Só
E que parte da minha felicidade existe
nessa obscura dor que me consome
Espero que haja alguém tão subtil
Que exista
Não existindo
Como uma constância e uma partida
Espero que haja alguém que entenda
Que habito o passado não vivido
E que amo o largo caminho desta solidão
Espero
Que
Haja
Alguém...
In “Coreografia do Silêncio” 2018
Teresa Almeida Rocha