COISAS DE POETAS
Nos olhos faz-se mar
e na mansidão das águas
a irrequieta alma da ave
salga o céu num voo imaginário.
Coisas de sonhos e pensamentos voláteis,
coisas de poetas navegando em mornas águas sem realidades.
Só o mar é real.
Nem o mar é real.
Esse onde o sol se esquece de aportar
e as rotas não existem
nem destinos pré-definidos.
Esse mar de margens construídas num olhar
sem ancoragem de horizontes. Com ancoragem de sonhos.
E a ave que sem asas voa
germina na imaginação e cresce,
cresce, cresce…
Tão livre como o sonho, tão livre como os olhos
que se fazem mar.
O mesmo mar que aquietado grita
o prefácio da vida.
In "Laços de luar e outras histórias"
Editora Edita-Me
Teresa Brinco de Oliveira
(N.1961)