CÁ TE ESPERO...

Recordando... Tomás António Gonzaga

SONETO XXXIX


 


Obrei quanto o discurso me guiava,


Ouvi aos Sábios quando errar temia;


Aos bons no gabinete o peito abria,


Na rua a todos como iguais tratava.


 


Julgando os crimes, nunca voto dava,


Mais duro ou pio do que a lei pedia;


Mas devendo salvar ao justo, ria,


E devendo punir ao réu, chorava.


 


Não foram, Vila Rica, os meus projectos,


Meter em férreo cofre cópia d’oiro,


Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:


 


Outras são as fortunas que me agoiro,


Ganhei saudades, adquiri afectos,


Vou fazer destes bens melhor tesoiro.


 


In “Marília de Dirceu – Parte II”


 


Tomás António Gonzaga


(1744-1810)

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